03 Janeiro, 2008

O Gosto da Cerveja

(originalmente publicado como comentário no Meloso e Calórico, mas "gentilmente" apagado pela dona do blog)

Uma coisa ruim na vida é cerveja. Amarga, deixa você enjoado e com vontade de ir ao banheiro. Quando criança, nunca entendi porque meu pai bebia aquilo. Parecia guaraná, só mais clarinho e com uma espuma. Achava a espuma massa, parecia que tinha caído shampoo no guaraná ralinho. Amargo. Muito amargo. Eu, como ávido tomador de Soda Limonada e Crush (sim, eu tomei), fazia ótimas caretas quando arriscava.

Mas a cerveja me ensinou muito. Primeiro, ensinou que não devo beber muita cerveja. Também ensinou que perder alguns sentindos é ganhar alguma forma de experiência diferente (não que isso valha a pena sempre). E por fim, a cerveja me ensinou o que é o amargo, isto é , um novo sabor. Que por definição não é ruim nem bom, é amargo.

O amargo não é oposto ao doce nem ao azedo. Fisiologicamente, estão situados em partes diferentes da língua. Potencialmente, então, algo pode ser doce e amargo (como uma cerveja malzebier, um suco de laranja com aquela casquinha branca depois de um tempo ou um fim de relacionamento com flores). Imaginei que sua língua é um plano cartesiano, como aqueles de matemática. O "doce" é um eixo ("x" )e -- vamos dizer-- o azedo é outro ("y"). Beber cerveja é adicionar o "z" ao gráfico. Adicionar um "Z" a sua vida, a sua perspectiva, as suas decepções. É reconhecer e degustar o que não é necessariamente doce, descobrir essas novas papilas gustativas.

E não lhe impede de continuar sexperimentando algodão-doce com pipoca, mas agora tudo é diferente.

Como diria Tito Fernandez -- só que falando de vinhos -- não tome cerveja por vício, e sim como uma lição bem aprendida, poque a vida nos demanda muitos sacrifícios. Ah a vida, a vida.

Uma coisa boa na vida é cerveja.


...Alla va la muerte
me esta esperando
alla va debajo
de la enramada...



CLeber M

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22 Outubro, 2007

Aposta Cosmicônica

Lendo um texto do Calvino que fala de apostas, especialmente de apostas de longo prazo, comecei a lembrar das apostas que fizera. E fiquei recordando que tinha uma que ficou em aberto ainda. E lembrei, hoje a essa hora, que ganhei. Estar só é uma coisa ruim, mas nesse caso me rendera a vitória.

Uma grande amiga minha tinha apostado que em 28 de julho de 2007 estaria casado novamente. Eis que ela errou. Acho que ao contrário. Mais ou menos por essa época nunca estive tão separado.

Um ponto importante é que desfiz a aposta antes. Magoara essa minha amiga e não queria manter um contato, nesse caso importantíssimo, de uma aposta. Apostar exige muita energia e fiquei com receio de acabar fazendo um mal maior.

A pergunta maior é: será se tivesse mantido a aposta teria mudado o resultado final? Ou não? Eu ganharia mesmo? Será que estaria em outra situação? Claro que são só bogagens estas perguntas. A partícula de dúvida "se" só acontece para o futuro. No passado ela se torna uma levianidade. Prender-se aos "se's" do pretérito faz as pessoas perderem as pistas do porvir.

Nem lembro o que ganharia. Mas agora não importa. Voltarei para o Calvino.


Cleber M

Mas que ganhei, ganhei...

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